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A Inteligência Artificial pode fazer previsões?

A Inteligência Artificial está aí, invadindo sem ter sido chamada em vários espaços e agora não dá mais para por tranca na porta.

Nós que trabalhamos com alguma forma de arte ou técnica preditiva não estamos imunes. Vários sites já oferecem a seus usuários meios de lerem tarots, runas, gerarem mapas natais ou numerológicos, até com interpretação.

Isso é feito mesmo sem uso da IA, apenas com automatização de tabelas ou cálculos. Quem trabalha com astrologia dificilmente fará cálculos e desenhará mapas na mão. Entretanto, já temos o uso de interpretações automatizadas, presentes em alguns sites voltados ao público interessado.

Mesmo quando não há cálculos complexos, na cartomancia, runas, tarot e outros tipos de oráculos, é possível fazer uso da Inteligência Artificial, com textos interpretativos, que levam em consideração até interações entre cartas.

A Inteligência Artificial tornou-se popular nos últimos anos, mas ela já estava presente desde os primórdios dos computadores, inicialmente como uma especulação teórica e posteriormente com aplicações práticas. Um de seus teóricos era Alan Turing, famoso por ter decifrado o sistema de codificação dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. 

Ele propôs em um artigo, intitulado Computadores e Inteligência, uma maneira de julgarmos se uma máquina estaria pensando ou não. Ele chamou de “jogo da imitação”, um modelo, que com algumas modificações, ainda pode ser usado hoje em dia.

Neste modelo, uma pessoa conversa com um interlocutor, sem vê-lo, que pode ser ou não uma máquina. Colocamos ela pra conversar com uma máquina. Se depois de algum tempo, essa pessoa for questionada se estava diante de uma máquina ou de um ser humano, e ela achar que esta diante de um ser humano, podemos dizer que a máquina “pensa”.

A Inteligência Artificial está aí, invadindo sem ter sido chamada em vários espaços e agora não dá mais para por tranca na porta.

Nós que trabalhamos com alguma forma de arte ou técnica preditiva não estamos imunes. Vários sites já oferecem a seus usuários meios de lerem tarots, runas, gerarem mapas natais ou numerológicos, até com interpretação.

Isso é feito mesmo sem uso da IA, apenas com automatização de tabelas ou cálculos. Quem trabalha com astrologia dificilmente fará cálculos e desenhará mapas na mão. Entretanto, já temos o uso de interpretações automatizadas, presentes em alguns sites voltados ao público interessado.

Mapa Astral antigo
Um mapa astral retrô, feito à mão.

Mesmo quando não há cálculos complexos, na cartomancia, tarot e outros tipos de oráculos, é possível fazer uso da Inteligência Artificial, com textos interpretativos, que levam em consideração até interações entre cartas.

A Inteligência Artificial tornou-se popular nos últimos anos, mas ela já estava presente desde os primórdios dos computadores, inicialmente como uma especulação teórica e posteriormente com aplicações práticas. Um de seus teóricos era Alan Turing, famoso por ter decifrado o sistema de codificação dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

Ele propôs em um artigo, intitulado Computadores e Inteligência, uma maneira de julgarmos se uma máquina estaria pensando ou não. Ele chamou de “jogo da imitação”, um modelo, que com algumas modificações, ainda pode ser usado hoje em dia.

Neste modelo, uma pessoa conversa com um interlocutor, sem vê-lo, que pode ser ou não uma máquina. Colocamos ela pra conversar com uma máquina. Se depois de algum tempo, essa pessoa for questionada se estava diante de uma máquina ou de um ser humano, e ela achar que esta diante de um ser humano, podemos dizer que a máquina “pensa”.

Objeções e as respostas de Turing

É lógico que houve objeções e ele levantou e respondeu todas elas.

Objeção Teológica

Pensar é uma função da alma humana, um dom fornecido ao homem por Deus.

Resposta de Turing: Se Deus pode dar este dom a um homem, pode dá-lo a qualquer outro, como, por exemplo, um elefante ou uma máquina, porque Deus é onipotente e, portanto, não possui nenhuma limitação em seus poderes.

Objeções da “Cabeça na Areia”

As consequências do pensamento em uma máquina serão terríveis. Esperemos que elas nunca sejam capazes de fazê-lo.

Resposta de Turing: Isto não é uma objeção propriamente e não passa de uma simples negativa de ver a realidade. Quem defende esta opinião não examinou a questão a fundo e apenas esconde sua cabeça na areia, como um avestruz.

Objeção matemática

Certos teoremas na lógica matemática demonstram que há limitações nos poderes de uma máquina (Teorema de Gödel, em 1931, de Church em 1936, de Kleene em 1935, Rosser e Turing em 1937). Estes teoremas mostram, de maneira direta ou indireta que é impossível construir uma máquina capaz de resolver qualquer problema dado. Isto é devido ao processo de resolução de problemas por máquinas, pelo menos na época de Turing, era baseado na axiomatização e formalização matemáticas. Gödel provou que é impossível axiomatizar a aritmética e o próprio Turing provou que é impossível construir uma máquina capaz de resolver qualquer tipo de problema.

Resposta de Turing: Mesmo que uma máquina não possa responder um determinado tipo de problema, é sempre possível construir uma que possa. Além disso, nem mesmo os seres humanos podem ser capazes de resolver todo e qualquer problema. Somos limitados pelos nossos conhecimentos e nossas habilidades. Todavia, podemos encontrar um outro ser humano que pode resolver um problema para o qual não conseguimos encontrar solução, embora esta pessoa possa ser incapaz de fazer determinadas coisas que nós sabemos.

O argumento da consciência

Somente quando as máquinas puderem ter consciência, ou seja, saberem que são e não apenas serem, é que poderemos admitir que as máquinas pensam.

Resposta de Turing: Este tipo de objeção cai num solipsismo, ou seja, só poderemos saber se uma máquina pensa se pudermos nos tornar a própria máquina. O que na realidade devemos fazer, é julgar se uma máquina é inteligente ou não pelos resultados que ela nos fornece, como fazemos com as pessoas à nossa volta.

Argumentos de várias incapacidade

Este argumento diz que uma determinada tarefa é impossível de ser realizada pela máquina. Por exemplo, ter sentimentos, ser criativa, tenha iniciativa, aprenda com a experiência, etc.

Resposta de Turing: As críticas apresentadas são formas disfarçadas do argumento da consciência e devem ser respondidas da mesma maneira.

As objeções de Ada Byron, Lady Lovelace

O nome Ada Byron está ligado à Máquina Analítica, de Charles Babbage. Ela pode ser considerada primeira programadora de computadores da história e forneceu à posteridade uma descrição pormenorizada da Máquina Analítica, numa dissertação datada de 1842. Nesta dissertação encontramos o seguinte trecho: “A Máquina Analítica não tem nenhuma pretensão de criar o que quer que seja. Pode fazer tudo o que saibamos lhe ordenar que faça” (o grifo é de Ada Byron).

Resposta de Turing: Isso não impede que possamos construir uma máquina que possa aprender ou a pensar por si mesma, desde que saibamos lhe ordenar isso.

O argumento da continuidade do sistema nervoso

O sistema nervoso, ao contrário do computador, não é uma máquina de estados discretos.

Resposta de Turing: No jogo da imitação o interrogador não pode tirar qualquer vantagem disso, porque um computador poderá resolver qualquer problema por métodos numéricos aproximados.

O argumento da informalidade do comportamento humano

É impossível descrever um conjunto de regras que pretenda predizer o que um homem faria num dado instante, em qualquer circunstância imaginável.

Resposta de Turing: Existe aí uma confusão entre regras de condutas e leis de comportamento. Quem conhece psicologia pode dizer que tais leis de comportamento existem, portanto é possível construir uma máquina que obedeça tais leis.

O argumento da percepção extrassensorial

Certos fenômenos parapsicológicos (telepatia, clarividência, premonição e psicocinética) não podem ser explicados por leis de nossa ciência tradicional. Nenhuma máquina pode ser capaz de reproduzir estes fenômenos.

Resposta de Turing: É necessário mudar radicalmente o jogo da imitação para podermos encarar estes fenômenos. Ainda não tenho uma resposta definitiva, mas devemos ter em mente que poderemos tentar isolar estes fenômenos de nossa prova (o jogo da imitação).

Percepção extra sensorial

A Objeção Não Respondida

Observe que Turing só não deu uma resposta contundente e certeira na última objeção, que menciona a atividade paranormal. Isso pode deixar contentes alguns oraculistas que dizem ser amparados por entidades, ou que usam a intuição.

Eu particularmente não defendo a necessidade de guias espirituais para uma leitura de Tarot por exemplo, mas respeito quem acredite.

Mas, bancando o advogado do diabo, se Turing vivesse hoje, talvez respondesse da mesma forma que a objeção teológica: as entidades podem amparar quem ou o que elas quiserem.

Em relação à intuição, eu particularmente acho que a intuição é uma outra forma de raciocínio. Intuir seria juntar informações de forma inconsciente e dar uma resposta. Um exemplo que eu gosto de citar é o do goleiro que faz uma defesa “impossível”. Ele tem um treinamento, já observou centenas de colegas acertando e errando defesas, tem seu próprio histórico de fracassos e sucessos e a percepção do momento. Então ele faz a defesa. Terminada a partida, ele é entrevistado. Perguntam como ele fez aquela defesa. Ele fala qualquer bobagem e sai pela tangente. Na realidade ele não sabe exatamente o que fez. E o que aconteceu? Seu cérebro fez um raciocínio de uma forma muito rápida e usando atalhos, o que os especialistas chamam de heurística.

Heurística é uma forma de raciocínio associada a problemas com muitas variáveis e rotas de solução possíveis. Um exemplo clássico é o jogo de xadrez. Cada lance tem um grande número de possibilidades de ser respondido pelo adversário. O raciocínio heurístico examinaria apenas os de maior probabilidade de acontecer, descartando outros sem examiná-los. Se eu estou jogando com um adversário conhecido, eu conheço seu repertório de jogadas e, a não ser que ele queira me surpreender, ele vai fazer lances dentro deste repertório. Outra coisa, está ocorrendo uma série de lances de ataque e defesa que envolvem apenas quatro ou cinco peças de cada jogador. Não há necessidade de examinar os lances possíveis das outras. Isso não vai funcionar 100% das vezes. O meu adversário pode querer me surpreender, usando um lance incomum. Ou eu posso estar concentrado no meio do tabuleiro, e meu adversário estar construindo uma armadilha sutil no canto.

A intuição seria o raciocínio heurístico feito de forma inconsciente.

Jogar Xadrez é um prato cheio para aInteligencia Artificial

As Inteligências artificiais, que eu saiba, não tem inconsciente, porque na realidade não sabemos nem se elas têm consciência, mas é possível programá-las para que trabalhem heuristicamente (aliás, a rigor, todas trabalham assim).

Riscos

O medo vendido pela mídia a todos os profissionais é de que a inteligência artificial possa substituí-los. E isso nem é novo. Isso vem acontecendo desde a Revolução Industrial. O problema é que agora ela atinge profissões que pareciam ser imunes ao progresso da automação. Não são mais postos nas linhas de montagem, mas cargos como contadores, advogados, engenheiros, analista de sistemas e até profissionais de agências de publicidade.

Poucos de nós trabalham num regime tipo CLT em que o patrão pode nos por na rua, nos trocando pela CiganaGPT.

O nosso risco vem de três pontos:

  1. “Empreendedores” vendendo soluções de IA a preços aviltados (a moda agora é o Low Ticket): cursos on line, atendimentos baseados em escaneamento da palma da mão, baralhos automáticos, “vidência” baseada em dados que o consulente mesmo fornece sem saber e mapas natais e preditivos com textos feitos por inteligência artificial. Alguns destes produtos são até colocados no mercado por pessoas com pouco preparo ou que nem são do ramo.
  2. O consulente muquirana, que raciocina da seguinte maneira: por que eu vou pagar caro para alguém fazer e interpretar se eu mesmo posso usar uma IA que faça isso para mim ou comprar esse produto baratinho, mesmo feito por IA?
  3. Usar muito a IA e acabar estagnando ou regredindo no ofício.

Uma das coisas que aconteceu no mercado editorial foi a avalanche de textos feitos por IA de pretensos escritores que querem ser famosos e ricos, que acabaram entupindo a Amazon de porcarias (incentivados que cursos que prometem colocar o texto criado do zero por uma IA nas primeiras posições da Amazon).

Mas, acredito que este modelo vai se esgotar como o do início do Marketing Digital, no final do milênio, onde o produto digital que mais tinha era “como ganhar dinheiro na Internet“.

Antes que me crucifiquem, nem todo produto barato é ruim e nem tudo gerado pela IA é descartável.

Nessa situação, quando todo mundo faz a mesma coisa, é preciso fazer algo diferente.

Oráculos, símbolos e consulentes

Nós, oraculistas, astrólogos e numerólogos trabalhamos com símbolos. Um símbolo não um significado fixo, pois se dermos a ele um ou mais significados, ele deixa de ser um símbolo e passará a ser um sinal. Na linguagem corriqueira, símbolo e sinal são idênticos. Por exemplo, dizemos que a estrela de três pontas é o símbolo da Mercedes-Benz, quando a rigor é um sinal. Mas para ocultistas, astrólogos, numerólogos, terapeutas junguianos e especialistas em semiótica, não. Um exemplo claro é cruz suástica. Como símbolo, ele é milenar, associado à varias culturas (nórdicos, budistas, hinduístas, e outras) que remete entre outras coisas à ideia de “evolução”, mas ela foi apropriada por Hitler e passou a ser um sinal do nazismo, que ficou tão arraigado que dificilmente pensamos em outra coisa.

E, como oraculistas, é através do símbolo que exercemos nosso talento, mesmo no caso dos astrólogos que tem um protocolo rigoroso para desenhar mapas e interpretá-los. Os símbolos dos planetas, luminares e outros corpos celestes, que tem existência no mundo real, vão além das simples correspondência do desenho de um círculo com uma seta com o planeta Marte.

O fato de termos uma imensa variedade de informações para lidar com as quais construímos nossa leitura e interpretação, torna cada leitura única e teoricamente não replicável.

Aqui fazemos valer a máxima junguiana em relação a psicoterapia:

Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.

A autenticidade será a nossa marca que nos fará nos distanciar de oráculos feitos por IA.

Este terá que ser nosso posicionamento. Damos a cara para bater e oferecemos uma interação genuína, um estilo único. E mesmo que usemos a IA para gerar mapas astrais ou outro tipo de material, é a nós que devemos mostrar.

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