A Arte

Arte: Astrologia

Muito se discute sobre os Oráculos – seja o Tarot, Runas, Astrologia – de forma polarizada e apaixonada. Defensores e detratores se digladiam em diversas arenas. Não existe uma posição neutra, tipo “não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem”. Porém, no meu ponto de vista, há uma posição mais confortável para lidar com eles. Podemos pensar que são uma Arte. A vantagem destmaneira de ver é que saímos do principal ponto de discordância dos dois grupos: se eles são ou não uma Ciência. É uma forma de tirarmos do foco estritamente racional, quando a Razão não consegue nos dar respostas. A Razão não consegue explicar a Arte e, se tenta, destrói o nosso prazer estético ao nos dizer: é só uma ilusão. Como Arte podemos explorá-la por simples prazer ou como ferramentas adicionais em busca do autoconhecimento.

Por que são ferramenta adicional para o autoconhecimento?

Entre os oráculos está, por exemplo, o Tarot. Este antigo instrumento de sabedoria é um conjunto de arquétipos dispostos numa sequência que pode ser interpretada com a Jornada do Herói – tão bem descrita por Joseph Campbell, que permeia a maioria das mitologias e das religiões organizadas, da literatura fantástica e é uma das bases da Psicologia Analítica.

O I Ching contém uma série de conselhos que podem ser interpretados em vários níveis: pessoal, familiar e político. Segundo alguns historiadores é bem possível que fosse uma forma disfarçada pela qual o Rei Wen (o primeiro autor do livro) para escrever seu plano fuga, seu plano de tomada de poder e seu plano de governo, quando foi feito prisioneiro pelo seu inimigo, Chou Hsin, último imperador da dinastia Shang.

A Astrologia é um excelente conjunto de características descritivas de traços de personalidade e de comportamento humanos. Olhar um mapa astral é mesmo que olhar para um oráculo onde num conjunto aparentemente caótico surge um padrão que pode nos levar a um insigth poderoso. Estes Oráculos são tão poderosos para o autoconhecimento como a interpretação de um sonho, uma sessão bem conduzida de psicanálise ou a leitura de um romance bem escrito. O céu visto por um Astrólogo é um drama escrito com muitos personagens e fazer uma Mapa Astral é ler este drama. Uma Leitura do Tarot ou de Runas traz para a mesa imagens poderosas que falam diretamente ao inconsciente do leitor e de seu consulente.

Uma nova atitude

Assim, em vez de perguntarmos: “como será meu futuro?”, perguntamos: “que drama ocorreu no dia do meu nascimento e que relação tem este drama com minha história e futuro?” ou “que mensagem e que lição posso extrair desta lição que as cartas ou as runas me dizem?” ou “que alternativas o I Ching ante este problema que estou vivendo?”.

Os gregos povoaram os céus com deuses que representam nossas paixões humanas. Contaram mitos e viam, na viagem de cada astro, os passos de seus deuses. E nos contam o que está em cima corresponde ao que está embaixo (assim na Terra, como no céu).

Os Cátaros tentaram preservar seu conhecimento através do Tarot, os Vikings tentavam preservar sua glória e se progteger para as batalhas através da runas, o Rei Wen quis deixar escrito suas ideias sobre política após vencer o déspota Chou Hsin. Convido a vocês uma viagem através dos Oráculos, ouvindo o que eles tem a nos tem a dizer.

Proponho que você abandone por alguns instantes a visão analítica – que nos ajuda a entender o mundo porém destrói a intuição e a poesia – e nos acompanhe nesta jornada pelos vários oráculos, navegando por estes mares, as vezes tranquilos, as vezes tempestuosos que os oráculos nos podem proporcionar.

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